A passagem do tempo me dá um enorme desespero. Eu odeio o fato de que todas as pessoas que eu amo cresçam e eu odeio mais ainda o processo injusto que é esse crescimento: quanto mais velho ficamos, mais rápido o tempo passa. Os aniversários chegam com maior rapidez à medida que crescemos, fator positivo enquanto não se tem dezoito anos. É puro egoísmo o que vou lhes dizer, mas meu desejo é manter meus primos pequenos, meus pais na meia idade, meus amigos jovens e meus ídolos e amores protegidos da ação do tempo. Quero conservá-los tal como estão.
Refleti sobre a possível causa deste meu desejo e nada plausível encontrei, acho que tudo se baseia no medo; medo de futuras perdas, de futuros desencontros, de futuras separações. Tudo parece tão perfeito agora que morro de medo da ameaça que o tempo me oferece e tento freiá-lo, tento construir uma barreira que o desvie para outros rumos, distantes das pessoas que amo. Tento e tento em vão, pois em um momento de sensatez me recordo que antes de mim (e de todos que amo) o tempo já existia, e é por isso que não posso lutar contra ele.
G.
Este comentário foi removido pelo autor.
ResponderExcluir